quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dia Mundial de Luta Contra o Trabalho Infantil

(fotografia tirada por Júlia Vasques, Lichinga, 2011)

Todos os anos, no dia 12 de Junho, é comemorado o Dia Mundial de Luta Contra o Trabalho Infantil.
Desde que estive em Lichinga, em 2011, fiquei mais sensibilizada para este dia que até então me passava ao lado.
Não fiquei sensibilizada para o facto "das crianças, coitadinhas, terem que trabalhar tão cedo", mas sim, para as constatações que fui fazendo sobre as razões para tal acontecer e para os benefícios que isso lhes pode trazer.
Enquanto aluna de cursos superiores de educação, fui levada a ler e a trabalhar textos sobre o trabalho infantil, e fizemos também comparações com culturas onde as crianças são trabalhadoras desde muito cedo e outras onde crianças têm uma vida sem qualquer responsabilidade e apenas com actividades para as distrair e passarem o tempo.
Ora, com estas reflexões e vivências, cheguei a várias conclusões, ou melhor, opiniões. Uma delas é que, e começando pelo mundo que nos é mais próximo, analisando o dia de uma criança do nosso país, conseguimos perceber que até o tempo para a brincadeira está calendarizado, ou seja, é uma obrigação. Saem para a escola, almoçam, brincam nos intervalos muito limitados e sempre com a auxiliar de olho e num espaço muito bem definido sem sair dos limites da vedação escolar. Depois das aulas, têm as actividades extra-curriculares e extra-escolares, feitas por uma escolha imposta pelos seus educadores pois é do futuro delas que se trata e nada melhor do que enchê-las de conhecimento socialmente aceite para as preparar para o futuro. Depois destas actividades que incluem desporto também, talvez irão para casa ou centro de estudos onde terão que fazer os trabalhos de casa, pois na escola não há tempo suficiente para aprender o que é aceitável para a sua idade. Já em casa, o que fazem? Deixo isso para a realidade íntima de cada lar. Ao fim-de-semana têm a catequese, mais desporto e outras actividades que surjam como pertinentes para o desenvolvimento da criança como ser socialmente aceite.
A opinião que tenho resume-se a uma questão: onde está o tempo de serem elas próprias e deixarem a sua personalidade própria se formar, desenvolvendo capacidade e aptidões intrínsecas que lhe serão úteis para qualquer realidade do dia-a-dia em qualquer cultura?
Percebo perfeitamente que as famílias não têm disponibilidade horária para deixar as crianças a brincar como o fazíamos antigamente, quando os avós ou outro adulto estava em casa e nós íamos para a rua brincar, sem qualquer problema de segurança. Daí surgirem os ATL e Centros Educativos, mas dos quais a maioria conseguiu distorcer a sua verdadeira função: deixar as crianças crescerem e criar adultos activos na sociedade e não um grupo de pessoas formatadas para o mesmo. Não pretendo desvalorizar estes estabelecimentos, muito pelo contrário, até porque estou na direcção de um deles (Espaço Crescer em Arada, Ovar). O que penso é que as crianças também têm opinião e que também devem ser ouvidas e tidas em conta na programação das actividades do seu dia-a-dia, conseguindo transmitir-lhes que todas aquelas actividades são importantes e dar-lhes essa liberdade de acção e de escolha.
Estas crianças trabalham? Sim, têm obrigação de fazer todas as actividades que lhe são apresentadas como apelativas. 
Outra conclusão a que cheguei foi que, nos países de terceiro mundo (e não só) as crianças têm necessidade de trabalhar para sobreviver. Ora, nestas circunstâncias, é positivo que trabalhem, certo? Senão não sobreviveriam. Pedir e arranjar mecanismos apenas para elas deixarem de trabalhar seria "tapar o sol com a peneira", pois no seu futuro não conseguiriam sobreviver numa cultura em que sobrevive o mais forte.
O exemplo deste menino da fotografia, um dos muitos vendedores de rua de Lichinga. Em vez de estar a roubar ou a "pedir mil", está a vender aquilo que consegue e até tem utilidade. Anda o dia todo de um lado para o outro, brinca com quem encontra pelo caminho, uns dias vai à escola tentar aprender algo, e assim passa a sua infância. Prepara o seu futuro como? Percebendo que precisa de trabalhar para sobreviver, precisa de conviver com outras pessoas para ser sociável, precisa de aprender para continuar a trabalhar e a sociabilizar à medida que cresce.
Seria ideal ele não trabalhar? Não me parece... Até porque nestes países, como não há actividades extra-curriculares ou extra-escolares institucionalizadas, a imaginação das crianças e o convívio com os adultos menos aconselháveis pode levá-los para caminhos nada bons, como o álcool, a droga e o sexo. Daí termos mães e pais com 13 anos.
Outra conclusão, e talvez a mais geral, é que sobre o trabalho infantil temos que ser realistas e contextualizar cada caso à cultura, necessidades reais da população, alternativas, continuidade. Devemos perceber primeiro se, eliminando de vez o trabalho infantil temos recursos para que as crianças tenham a escola da vida que os levará para um bom caminho.
Louvo as missões que tentam diminuir o trabalho infantil ou criar melhores condições para esse trabalho, quando tem mesmo que existir. Mas louvo apenas projectos assentes em bons pontos de partida e com os pilares bem definidos, ou seja, os projectos em que se pretende eliminar ou melhorar o trabalho infantil criando educação e apresentando-lhes alternativas à vida de escravatura (ou quase) que poderia ser a sua única alternativa.
Projectos em que tiramos as crianças da rua ou forçamos a sua educação apenas porque temos pena deles ou porque temos necessidade de ajudar alguém que nos parece precisar de ajuda, não é um bom princípio, pois podemos estar a criar ilusões dando bens materiais e não oportunidades de futuro.
Este assunto é pouco debatido, no meu ponto de vista, e muito delicado, pois envolve política e dinheiro, muito dinheiro...
Quantas Organizações Não Governamentais conhecemos? Quantas missões de solidariedade conhecemos que não são reconhecidas? E pelo mundo fora, quantas iniciativas de caridade existem? Conversam entre elas? Caminham juntas para um fim comum? Sabem o que se passa à sua volta?
Ter dinheiro e ajudar não é suficiente! Ajudar é muito mais do que dar... é parar para reflectir sobre o que realmente é necessário para cada um. É começar por nós próprios e questionarmos qual a verdadeira razão para querermos ajudar.
Em Lichinga aprendi que o sorriso sincero, o toque de mãos e o abraço é muito mais importante do que dar gomas e bolachas que eles nunca teriam acesso. Estes materiais dão alegria e muitas gargalhadas, sim, mas não dão continuidade. Mais importante que isso é deixá-los crescer e ensinar-lhes que eles próprios têm muito que ensinar aos outros, que eles próprios têm capacidade para se tornar alguém sem estarem sempre dependentes de missões humanitárias, pois eles são pessoas como todos nós!
Se calhar uma qualquer empresa que vá para países de terceiro mundo para ganhar dinheiro e negócio fácil, encontra uma realidade tão brutal que, sem se aperceber, começa a ajudar na realidade, com o simples gesto de, por exemplo, querer levar água a aldeias que sofrem de seca extrema quando passam cursos de água a alguns quilómetros de distância. A ajuda neste caso é com fins lucrativos, pois fazem-no pelo negócio apenas, mas acabam por parar, sociabilizar com os locais, mostrar-lhes que conseguem viver em melhores condições de vida se a água lá chegar, ainda distribuem os chocolates e bolachas e ainda riem com elas por breves minutos. E o mais engraçado, é que não são organizações destacadas para isso, são pessoas que pensaram num projecto lucrativo tendo por base as necessidades reais da população local e a mais valia que o que podem fazer será para o futuro delas. Há ajuda mais genuína do que aquela que nem sequer tem consciência que está a ajudar?
O segredo estará onde? No parar para pensar no projecto. Vamos fazer isto porque... E faz-se, com fundamento, não se faz só porque sabe bem ajudar.

Boas reflexões...

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Titia - O Álbum - 1ª Parte

Para os leitores do livro "Titia amanhã não vou vir", uma experiência de voluntariado em África, aqui fica a primeira parte do álbum fotográfico.
Em breve publicarei a próxima parte, onde mostrarei cada vez mais em detalhe a história relatada. Espero que seja útil e que faça despertar novas vontades missionárias!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Dia Mundial do Ambiente


Celebrado desde 1973, todos os dias 5 de Junho, este dia assinala a importância e relevância que o ambiente tem na nossa qualidade de vida.
Mais do que plantar uma árvore, podemos abordar temas como a sustentabilidade, o que podemos fazer para manter ou minimizar os "estragos" que fazemos diariamente ao ar que respiramos, à terra por onde andamos, às águas por onde nadamos.
O ambiente é tudo o que nos rodeia, por isso é só deixar a nossa imaginação fluir e trabalhar uma temática que achemos pertinente.
No Centro Educativo e de Formação Espaço Crescer em Arada, Ovar, iremos comemorar este dia apenas no dia 8 de Junho, sábado, das 10h às 12h, com jogos sobre a temática e a manutenção da horta comunitária, tentando que sejam partilhados valores como a sustentabilidade e partilha.
Estão todos convidados, pois nem só os mais novos se divertem e aprendem com estas actividades!

Boas ideias ambientais!